terça-feira, 19 de maio de 2009
HIDRELÉTRICA DO TIJUCO ALTO INUNDARÁ GRUTAS IMPORTANTES
18/05/2009 - 18:48 Da equipe Portal Via.
A gruta do Rocha é uma candidata improvável a polo turístico. Para chegar até sua entrada estreita, o visitante precisa fazer uma caminhada dura de uma hora e meia na mata atlântica, numa porção isolada do vale do Ribeira, na divisa entre São Paulo e Paraná. Em boa parte dela é preciso ficar agachado e tomar cuidado para não bater a cabeça.
Enquanto os visitantes se preocupam em não se molhar demais na água que cobre o solo, morcegos dão rasantes nos intrusos.Essa caverna meio sem graça em Cerro Azul (PR) se tornou um cavalo de batalha de um dos mais recentes conflitos ambientais do Brasil. Juntamente com sua vizinha, a gruta da Mina da Rocha, ela era o maior obstáculo para a CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), do grupo Votorantim, construir a hidrelétrica Tijuco Alto.
Ambas ficam na área que deve ser alagada para criar o reservatório da usina, e motivaram boa parte do lobby que levou o governo federal a mudar a legislação que protegia as cavernas brasileiras.Até o ano passado, todas elas eram consideradas patrimônio cultural brasileiro. Porém, o decreto 6.640, de novembro de 2008, acabou com esse status.
Agora, só cavernas consideradas de máxima relevância precisam ser preservadas.As demais (de alta, média e baixa relevância) podem ser destruídas, após estudos e obtenção de licença, para a realização de empreendimentos.Segundo Rinaldo Mancin, diretor de assuntos ambientais do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), na época em que Marina Silva chefiava o Ministério do Meio Ambiente, as "negociações eram horríveis e o tema pouco evoluiu".Com sua saída do governo, o processo "avançou".
Em seu informativo de abril, o Ibram comemorou o novo decreto e ressaltou que a articulação política foi fundamental.Entre as cerca de 170 associadas ao Ibram estão empresas de grande influência em Brasília, como CBA, a Vale, a CSN e a Camargo Corrêa.
Com o novo decreto, somente as cavernas dentro de unidades de conservação, como parques, estão fora de risco, diz Marcelo Rasteiro, secretário-executivo da SBE (Sociedade Brasileira de Espeleologia).O relatório de impacto ambiental da CBA diz que as duas cavernas na área de Tijuco Alto são pequenas e pouco expressivas. Entretanto, na gruta do Rocha foram encontradas 40 espécies de animais que só vivem em cavernas.
Segundo a SBE, como a empresa comprou as terras na região, há cerca de 20 anos espeleólogos isentos não têm acesso às grutas para avaliar se elas são ou não insignificantes.
Última tentativa
Com a eliminação do problema das cavernas, a empresa está otimista: "A CBA não considera as duas cavidades localizadas na área do futuro reservatório um empecilho para a implantação do projeto. A empresa (...) já possui um parecer técnico favorável do Ibama e aguarda a obtenção da licença prévia", disse.
Só quem pode frear a construção da usina agora é o Supremo Tribunal Federal, caso considere o decreto das cavernas inconstitucional --a Procuradoria-Geral da República argumenta que os critérios de uso de cavernas só podem ser fixados por lei, e não por decreto.
O Ibram, no entanto, acredita que a decisão demorará mais de dois anos para ser tomada. Até lá, a obra de Tijuco Alto pode estar em andamento (a construção deve durar 40 meses) e os morcegos não mais assustarão os raros visitantes na gruta do Rocha.
Outra preocupação é que os estudos para definir a relevância de uma caverna qualquer serão pagos e contratados pelo empreendedor. Fabio Geribello, presidente da UPE (União Paulista de Espeleologia), afirma que o ideal para evitar influência na avaliação seria a empresa somente pagar o custo, e um órgão do governo contratar o estudo.Para Raul do Valle, do ISA (Instituto Socioambiental), é um absurdo mudar a lei "por causa de dois ou três empreendimentos".
O Ibram alega que a legislação anterior inviabilizava, além de Tijuco Alto, projetos como o de mineração Serra Leste (PA), da Vale, e a exploração de calcário siderúrgico de Arcos-Pains (MG). Com informações da Folha Online.
domingo, 17 de maio de 2009
PROJETO LIXO MARINHO - PRAIA LOCAL, LIXO GLOBAL

Um dos objetivos da ação Praia Local, Lixo Global é conseguir identificar os navios que jogam o lixo global em alto-mar analisando as embalagens trazidas até as praias pelas correntes marítimas. Uma tarefa importante, pois os navios são responsáveis por 85% do lixo global encontrado no mar, porém difícil, já que, ao contrário do petróleo que deixa seus vestígios na forma de uma maré negra, o lixo, após descartado, acaba se dispersando ou afundando, sem deixar rastros.
A ação Praia Local, Lixo Global começou em 2001, quando coletou 94 embalagens espalhadas pelas praias da Costa dos Coqueiros, Litoral Norte da Bahia, num trecho de 31 km, com o intuito de identificar sua origem, seja pelo idioma e/ou código de barras utilizados nos rótulos, cujos 3 primeiros dígitos determinam o país de procedência, conforme tabela da EAN.UCC, ou seja, European Article Numbering Association - EAN e Uniform Code Council - UCC (entidade americana que administra o sistema de Código Universal de Produtos - UPC).
Dessas 94 embalagens, foi possível a identificação da origem de 88 delas, cujos rótulos ainda estavam legíveis, verificando-se que tinham vindo de 26 países diferentes, a maioria dos Estados Unidos (10), África do Sul (9), Alemanha (8), Bélgica (6) e Reino Unido (6), e, em menor quantidade, de países como Indonésia, Argentina, Canadá, Espanha, Índia, Finlândia, Tailândia, Coréia do Sul e Chipre.
As embalagens encontradas apresentavam estados de decomposição distintos, desde embalagens novas, recém chegadas à praia como, por exemplo, um pote plástico de geléia fabricada nos Estados Unidos que ainda continha resto do produto em perfeito estado, como embalagens já em evoluído estado de decomposição, como latas totalmente enferrujadas e plásticos completamentes ressecados que, quando tocados, despedaçavam.
As embalagens eram geralmente de água mineral (21) e leite (13), porém havia, também, embalagens de inseticidas, sucos, produtos de beleza e limpeza, material de escritório, refrigerantes e alimentos diversos. Os tipos de embalagem mais comum eram as plásticas (46), sprays em latas (21) e Tetra Pak (17). Além disso, encontrou-se 1.647 lightsticks, usados como sinalizadores e para pesca noturna; 43 lâmpadas incandescentes e fluorescentes, que pelo modelo (tipo de bocal e filamentos) são de fabricação estrangeira; e 54 garrafas de vidro de bebidas alcóolicas.
Os lightsticks encontrados nas praias causaram preocupação não só pela quantidade (1.647 em 2001), mas também pela forma como o líquido, que permanece em seu interior após o descarte, tem sido usado pelos nativos. Observou-se o uso desse líquido, de cor avermelhada ou amarelada, das mais variadas maneiras, como bronzeador, devido à coloração semalhante; óleo de massagem; para dores de coluna e joelho; reumatismo; micose de pele; para retirar o piche da sola dos pés; como chaveiro, etc, e até casos mais graves de ingestão, tendo sido relatado que uma criança chegou a beber o líquido pensando que fosse suco. Esse líquido não é considerado tóxico pelo fabricante se o lightstick for usado corretamente, ou seja, como sinalizador, não sendo recomendado, porém, o seu uso sobre a pele ou lábios, sua ingestão ou a inalação de eventuais vapores formados pelos líquidos. Porém, como os lightsticks chegam às praias sem a embalagem, a falta de informação acaba causando muita confusão quanto à forma correta de uso. Em 1998, observou-se, na Europa, que os lightsticks estavam sendo consumidos para serem usados em festas não apenas como fonte de luz portátil, mas também para se aplicar o líquido sobre os lábios para deixá-los fluorescentes, o que acabava causando inchaço e dormência.
O lixo global é preocupante não só pelo possível uso indevido que as pessoas podem fazer dele, mas também porque pode conter material perigoso que fica jogado nas praias. É o caso de um pescador que, ao encontrar uma bóia na praia e perceber que havia algo em seu interior, decidiu serrá-la, porém desmaiou ao respirar o ar que saiu de dentro da bóia - a bóia estava cheia de cocaína! Um outro pescador contou que um dia achou, na praia, um objeto desconhecido e abrí-lo em sua casa, porém ao passar diante de uma barraca de praia, um banhista, que por acaso era da Marinha, o alertou para que não manuseasse aquele objeto, pois tratava-se de uma bomba! A idéia de que vamos encontrar um tesouro trazido pelo mar é muito antiga, porém continua presente no nosso imaginário.
Por outro lado, não só de embalagens estrangeiras é feito o lixo global, a ação Praia Local, Lixo Global também encontrou muitas embalagens brasileiras nas praias baianas que haviam sido jogadas ali pelos próprios banhista ou trazidas do mar pelas correntes marítimas, como, por exemplo, embalagens de óleo para motor a diesel da BR Petrobras, e até embalagens de água mineral e margarina de várias marcas.
Outra caminhada pelas praias da Costa dos Coqueiros em 2002, num trecho de 62,7 km, resultou na coleta de 730 embalagens industrias de 47 diferentes países. Dessa vez os cinco países com mais lixo nas praias baianas eram Estados Unidos (100), Itália (70), Taiwan (53), África do Sul (45) e Alemanha (43) você tem os números de 2002? e 38% eram embalagens plásticas de água mineral. Interessante observar que o lixo global apresenta alto índice de embalagens plásticas, pois como flutuam bem, conseguem se deslocar por longas distâncias sem afundar.
Em 2003, o trecho caminhado foi de 83,1 km, de Imbassaí até Sítio do Conde, também na Costa dos Coqueiros, tendo sido coletadas 524 embalagens e os cinco países que apresentaram mais lixo nas praias foram Estados Unidos (77), Reino Unido (31), Alemanha (30), Singapura (30) e Holanda (28). Dessas embalagens, 66,5% era de plástico, 16,7 % de metal e 13,2 % de papel, veja os gráficos para mais informações.VEJA FOTOS DAS AÇÕES - CLIQUE
INFORMAÇÕES: Fabiano Barretto da Global Garbage.org - Email: fabiano.barretto@globalgarbage.org