terça-feira, 20 de outubro de 2009

DR. CARLOS EDUARDO FALA DA FISIOTERAPIA NOS ESPORTES



FISIOTERAPIA DESPORTIVA

Dr. Carlos Eduardo Pereira da Silva
Esp. Ortopedia/Traumatologia e Acupuntura

A Fisioterapia Desportiva é uma das áreas de atuação do profissional fisioterapeuta na atualidade, o profissional inevitavelmente está sujeito a inúmeras e constantes pressões e cobranças em termos dos resultados de seu tratamento para um retorno funcional e no menor tempo possível do atleta à sua prática desportiva. As situações esportivas expõem ao mesmo tempo, sobrecargas posturais, forças excessivas e repetitividade.

A Fisioterapia Esportiva é um componente da Medicina Esportiva, sua prática e métodos são aplicados no caso de lesões causadas por esportes, com o propósito de recuperar, sanar e prevenir as lesões. A fisioterapia esportiva tem como objetivo principal devolver o atleta o mais rápido possível para a prática esportiva após uma lesão.

O trabalho da fisioterapia desportiva é bastante diferente dos outros, pois tudo tem que ser muito rápido e funcionalmente mais efetivo, pois o atleta mais do que qualquer outro indivíduo precisará executar todas as funções do seu corpo, músculos, ossos e articulações, no máximo de potência e amplitude para execução perfeita de todos os movimentos. Dentro da fisioterapia do esporte é também importante a integração do trabalho estático com o treinamento do indivíduo através da reeducação dos atos motores específicos da modalidade.

O fisioterapeuta através da avaliação clínica e funcional individualizada do atleta pode colaborar com o treinamento, orientando os indivíduos e respectivos treinadores quanto aos possíveis desequilíbrios musculares presentes e o desempenho biomecânico do esporte em questão. O aspecto preventivo no tratamento das lesões esportivas quer se discuta atividade física de alto desempenho quer como mero coadjuvante de tratamentos médicos é importante. Com a finalidade de atuar preventivamente a fisioterapia precisa redirecionar seu foco de atenção, usualmente centrado nas lesões já instaladas, para situações com possível risco para o aparelho músculo-esquelético.


A última década do século passado revela a aceleração das mudanças na prática esportiva. Consolida-se a idéia de esporte como direito de todos. Grupos até então pouco atendidos na questão da atividade física ganham mais atenção. Dois exemplos de tal transformação são a terceira idade e a pessoa portadora de deficiência.
Amplia-se o próprio conceito de esporte, desmembrado em esporte-participação (lazer) e esporte de rendimento (competição). O papel do Estado também se altera. Ele deixa de apenas tutelar as atividades esportivas. Passa a investir em recursos humanos e científicos. Além disso, no campo do alto rendimento, dá atenção especial às questões éticas, como o combate ao doping.

Com isso, vários pesquisadores das causas das lesões desportivas denunciam a incidência alarmante de sua ocorrência nos dias atuais, tornando fundamental a adequabilidade de ações para evitá-las. A propósito, esses estudos estimulam o conhecimento dos cuidados preventivos, visando a reduzir as lesões desportivas na prática de atividades físicas, havendo, portanto, a necessidade de identificar as variáveis determinantes dos danos a elas relacionados, em termos de padrão, traço e tipo ou da combinação de tais elementos.


Na realização de atividades físicas em geral, pouco uso se faz dos aplicativos dos estudos disponíveis sobre o problema discutido. É o que se registra, por exemplo, no campo de atuação da Fisioterapia e até mesmo da Educação Física ao considerar o trabalho de profissionais de ensino e dirigentes técnicos. Dessa forma, a população adepta a exercício físico, com propósito competitivo ou de recreação, fica a mercê dos riscos, ou seja, dos acidentes provenientes dessa prática.

Embora esses agravantes se apresentem, eles não pioram o problema nem são vistos como evidências para que o usuário seja afastado das atividades físicas, mas têm apontado para recomendações que garantam, minimamente, a segurança da comunidade esportiva.

Entre os autores não há unanimidade no enfoque do conceito de atividade física, assim, a atividade física, como qualquer manifestação humana, tem significado especial e diferenciado na espécie. Pode ser considerado como qualquer movimento produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto de energia.


Em qualquer que seja a atividade física praticada, o individuo esta predisposto a sofrer danos físicos . Registra-se grande interesse por esses danos físicos nos mais variados grupos de pesquisa. Em considerável quantidade de investigações empreendidas hoje, na área de esporte e lazer, estuda-se o problema das lesões desportivas na tentativa de chegar a um consenso sobre lesões.

Segundo a literatura científica, quando se conhecem as causas que levam ao aumento da incidência na ocorrência de lesões desportivas é possível adotar medidas de prevenção e/ou de cura para reduzir os problemas daí advindos. Essa idéia implica o pressuposto dos fatores causais na ocorrência do dano durante a prática de atividades físicas, mas também aponta os meios de evitá-lo ou diminuí-lo. É essencial que fisioterapeutas, educadores físicos e demais profissionais envolvidos com atividades físicas tenham conhecimento dos fatores causais agravantes, para acessarem as ações preventivas.

Dentre as lesões mais comuns estão as tendinites, lesões ligamentares, contusões, distensões, entorses, luxações e subluxações, fraturas, abrasões (Desgaste da pele por meio de algum processo mecânico inusital ou anormal), bolhas, calos e cortes em geral.

O joelho é uma das articulações mais exigidas por quem pratica esporte, haja a vista o número de lesões de que se tem conhecimento hoje, e talvez por esse motivo o torne a articulação mais estudada. Uma história de dor, capaz de afastar para sempre o monstro sagrado dos esportes, o joelho e suas lesões afastam o atleta mesmo após uma cirurgia, ou mesmo uma história de incertezas, como a recuperação de alguns atletas famosos como o Ronaldo.

A fisioterapia é parte importante do processo de reabilitação. Na medicina esportiva, a orientação fisioterápica abrange a preparação e treinamento do atleta, prevenção e tratamento das lesões e o retorno precoce às atividades. Essa reabilitação preconiza a mobilização articular, o trabalho muscular e a descarga de peso precoce, como atitudes a serem incorporadas ao processo de reabilitação através de exercícios dinâmicos e cinestésicos, a propriocepção.

A fisioterapia esportiva no Brasil serve como referência para os demais países do mundo, apesar dos poucos recursos tecnológicos que dispomos no momento. Nota-se que cada vez mais, cresce o número de profissionais que se dedicam a essa área.

O grande desafio do fisioterapeuta no meio esportivo é reabilitar num espaço muito reduzido de tempo, sem que isto acarrete nenhum prejuízo para o atleta. Uma outra função indispensável, que hoje vem sendo aplicada é a de reeducar o atleta e prepará-lo quando o mesmo faz parte das categorias de base. Esse processo acontece quando se acompanha um garoto, pois ainda em formação e o seu organismo pronto para sofrer as adaptações necessárias, o fisioterapeuta tem condições de corrigir nestes jogadores das categorias infanto-juvenis, possíveis deformidades ou assimetrias significativas que atrapalhariam sua performance futura.

Um grande exemplo de preparação para jovens talentos do nosso futebol é no São Paulo Futebol Clube que, conta com um setor de referência mundial na fisiologia do Exercício, no entanto, outros clubes do futebol brasileiro cada vez mais, vêm adotando esta pratica terapêutica nas suas sedes. O São Paulo Futebol Clube tem uma estrutura tão impressionante que é comum encontrar atletas de times rivais se submeterem a tratamentos e treinamentos na sua sede.


Dr. Carlos Eduardo Pereira da Silva

Crefito: 88126

Fisioterapeuta

Especialista em Ortopedia/Traumatologia e Acupuntura

Campos do Jordão - SP

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